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Gênio
O momento enfim chegara. Era a sonhada, esperada, noite de consagração. Desde o tímido ínicio, no encontro em que se conheceram, haviam se passado vários anos. Muita coisa havia mudado, exceto a admiração que ele nutria por seu aluno. Bastou-lhe apenas aquele primeiro contato para saber que a vida havia permitido que seu caminho cruzasse com o de um gênio. Em poucos meses de estudos, ele foi engolido pelo avanço de seu pupilo e acabou se tornando um orientador, alguém a apenas indicar os caminhos. O que lhe restara, de extrema importância aliás, foi a amizade. Por sorte, seu pupilo era humilde. Mestre e aluno estavam preparados para o momento singular que viviam; traziam consigo a serenidade que acompanha os que conhecem a si mesmos. ... O mestre timidamente sorriu. Sorriu prá si mesmo, vislumbrando o pensamento que tivera. Num instante reviveu emoções e acontecimentos de anos de lutas e vitórias; com desprezo lembrou dos próprios medos, da temerosa indecisão da companhia daquele que para ele era apenas um garoto, mas que trazia em si a monstruosidade de um talento nato muito venerado e a pouquíssimos comparado. Lembrou do tempo vivido antes que se encontrassem, do sonho de ser um mestre renomado e conhecido e ainda dos seus próprios mestres e das expectativas deles que trazia guardadas em si. Era nítida a sua satisfação. E por mais que fosse criticado pelos seus, bastava-lhe acompanhar participativamente das realizações do seu aluno. Bastava-lhe.
Escrito por Everaldo
às 16h09
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